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Objetivos e propostas

A Universidade de Coimbra é um ecossistema fértil de produção e transmissão de conhecimento, que importa cuidar e reforçar continuamente. Contudo, é necessário evoluir, melhorar práticas e definir objetivos ambiciosos de progresso científico, de formação de qualidade e de impacto significativo na sociedade. Assim, são estas as nossas preocupações, os nossos objetivos e propostas:

1. INVESTIGAÇÃO E INOVAÇÃO

Atração e retenção de talentos

A Universidade de Coimbra (UC) deve criar condições e estabelecer programas de proximidade para potenciar, reter, atrair e desenvolver todas as pessoas envolvidas na investigação científica e inovação. O reforço, incentivo e valorização das pessoas, tanto doutoradas como não doutoradas, que conduzem ou apoiam atividades de investigação científica e inovação, são fundamentais para garantir uma produção de conhecimento robusta, de qualidade, contínua e sustentável na UC. A UC deve, portanto, criar as condições e programas de apoio
necessários para atrair e reter talentos, garantindo o sucesso em diversas carreiras (docência/investigação; gestão de ciência; entre outras).
Além disso, desde o início da carreira e ao longo dela, todos/as os/as docentes investigadores/as, em todas as Unidades Orgânicas, Unidades de I&D e outras estruturas da UC, devem contar com apoio descentralizado e ter acesso a programas de desenvolvimento e capacitação que potenciem a construção de percursos de sucesso, seja na docência, na investigação, na transferência de conhecimento ou na gestão universitária. Esses recursos são cruciais para fomentar um ambiente no qual o talento e o sucesso possam prosperar, valorizando o potencial de cada pessoa.
A UC deve também implementar mecanismos que estabeleçam metas e objetivos claros para todos os membros da academia, docentes, investigadores/as e outros/as colaboradores/as. Para isso, é necessário repensar o sistema de avaliação, tanto individual como institucional, com base em objetivos que permitam a adoção de perfis flexíveis, com ênfase nas especificidades de cada área de saber, na independência e desempenho das pessoas, na qualidade da produção científica em detrimento dos resultados quantitativos de curto prazo. Deve ainda incentivar a liderança académica e promover a satisfação dos diferentes perfis com o seu trabalho na UC.
Por fim, o apoio administrativo, profissional, técnico e de proximidade, com qualidade e desburocratizado, deve ser disponibilizado a toda a comunidade envolvida em atividades de investigação científica. Este apoio é imprescindível e deve ser continuamente valorizado e reforçado.

Internacionalização e mobilidade

O reforço da internacionalização e mobilidade de docentes e investigadores/as deve ser uma prioridade estratégica e transversal na UC. A universidade deve promover e facilitar as parcerias com instituições internacionais universitárias e científicas de referência, incentivando a participação em redes internacionais e criando programas de apoio à mobilidade para todos/as os/as docentes e investigadores/as nas diversas Unidades Orgânicas e Unidades I&D. Estes esforços são essenciais para enriquecer a diversidade cultural e científica, fomentar uma comunidade académica mais inclusiva e atrair talentos de diferentes origens, ajudando a mitigar a endogamia. 

Estratégia científica com mais participação e colaboração

É essencial reforçar e projetar as atividades de Investigação Científica e Desenvolvimento no futuro da Universidade de Coimbra, adotando uma estratégia científica clara e participativa que envolva as infraestruturas científicas e espaços dedicados à investigação, de modo a dar resposta às necessidades atuais e futuras da investigação científica.
As mais de 30 Unidades I&D da Universidade de Coimbra, que abrangem várias áreas científicas, destacam-se pela diversidade em termos de dimensão, número de pessoas envolvidas e estrutura organizacional. Estas Unidades de I&D desempenham um papel fundamental na produção de conhecimento, no financiamento, na formação, na interação com a sociedade e na comunicação científica. No entanto, o seu reconhecimento e valorização na estrutura organizativa da UC devem ser objeto de uma atenção transformadora.
As Unidades de I&D devem ser parte integrante do organograma da UC e contribuir de forma decisiva para a definição da estratégia científica da universidade, incluindo as estratégias de recrutamento e de alocação de espaços. A atração de talento para a UC deve assentar numa estratégia de avanço científico que una a investigação e o ensino, preparada com o contributo das Unidades de I&D.
A UC também pode reforçar o seu posicionamento institucional e ampliar significativamente o apoio da comunidade através de uma estratégia de mecenato transparente e que respeite a autonomia universitária. O apoio através de doações e patrocínios pode ter um impacto significativo na modernização de infraestruturas científicas, no desenvolvimento das atividades de investigação, na concessão de bolsas de estudo, no financiamento de prémios e na organização de eventos científicos e culturais, etc.
A Lista i considera essencial estabelecer uma estratégia de mecenato, com uma equipa profissional dedicada, que assegure uma comunicação constante e personalizada, reforçando assim a confiança e o vínculo entre os mecenas e a Universidade.

Museus e Coleções científicas na produção de novo conhecimento

A proteção do património cultural, inscrita na Recomendação sobre a Proteção e Promoção dos Museus e das Coleções, da sua Diversidade e do seu Papel na Sociedade, assinada em 2015 por todos os estados-membros da UNESCO, é fundamental para a valorização dos testemunhos que encerra. Dentro deste património, os museus, incluindo os museus universitários, reconhecidos como essenciais para a educação e coesão social, são afetados pelas constantes mudanças e exigências da sociedade, que obrigam a uma rápida capacidade de resposta e dificultam a criação de uma estratégia a longo prazo.
Distante dos tempos em que os museus universitários tinham espaços e recursos humanos treinados para a conservação e estudo das suas coleções, a UC tem hoje um conjunto heterogéneo de edificado e coleções que exige uma urgente definição de um quadro funcional que garanta a sua conservação e valorização, para conhecimento e estudo, e para usufruto das gerações futuras.
Neste âmbito incluem-se o Museu da Ciência, o Jardim Botânico, o Observatório e coleções científicas variadas que, além de constituírem faróis de valorização do património científico, de educação e divulgação científica, devem ser fonte e locais privilegiados para o desenvolvimento de projetos de investigação interdisciplinares e para a produção de novo conhecimento.

2. ENSINO E APRENDIZAGEM

Ensino e aprendizagem com maior flexibilidade e inovação e menos burocracia

O ensino deve combinar uma sólida base científica e cultural com o desenvolvimento de competências práticas, analíticas e éticas, incorporando a investigação científica e orientando-se para os desafios do futuro. Continuamos a defender uma ligação forte entre Investigação e Ensino, desde o 1º ano do 1º ciclo, com uma atenção particular na integração de estudantes de 1º ano e na possibilidade de estudantes finalistas poderem escolher a UC para outro ciclo de estudos. Os mesmos princípios são válidos para além do contexto escolar, e a Lista i defende que a Investigação e Inovação podem também informar uma cidadania mais ativa de toda a Comunidade.
Já sabemos que estamos a preparar estudantes que terão empregos que ainda não existem, e por isso, a UC deve oferecer valências diversificadas, proporcionando percursos académicos mais personalizados e/ou personalizáveis. Isso significa promover a aprendizagem ativa e o ensino Inovador em espaços flexíveis de aprendizagem. Simultaneamente, a UC deve abrir-se à vida profissional ativa, oferecendo cursos de formação avançada e contínua, que permitam estreitar os fluxos entre a academia e a sociedade, bem como acrescentar valor ao longo das carreiras profissionais. O ensino na UC deve, assim, incluir formação contínua e orientada para uma aprendizagem ao longo da vida, promovendo flexibilidade e adaptabilidade em ambientes profissionais diversificados.
A carga burocrática associada às atividades de ensino desempenhadas pelo corpo docente deve ser significativamente reduzida, devendo existir apoio profissional para que os/as docentes disponham de tempo de qualidade para a reflexão e implementação de novas estratégias pedagógicas. Estas devem incorporar a investigação nas práticas letivas e incentivar o pensamento crítico e a criatividade dos/as estudantes. Para fomentar a experimentação, a mudança e a inovação pedagógica, é essencial criar equipas que incluam profissionais educativos e espaços de aprendizagem flexíveis. Só assim conseguiremos preparar os/as estudantes para enfrentarem os desafios complexos do futuro, com uma atitude crítica e fundamentada. Reforçar o apoio à atividade docente, desburocratizando-a e flexibilizando-a, contribuirá para a formação de estudantes que serão não só academicamente competentes, mas também cidadãos/cidadãs conscientes, críticos/as e prontos/as para contribuir de forma significativa para a sociedade.

A língua portuguesa, a multiculturalidade e a interculturalidade são princípios estruturais de uma universidade inclusiva e plural, devendo ser constantemente reforçados. Porém, é também necessário pensar em novas formações e ciclos de estudos diferenciadores (incluindo 1º ciclos), focados, interdisciplinares e plurilinguísticos, com a possibilidade mais alargada de formações em língua inglesa. Os programas de doutoramento e os/as estudantes de doutoramento como investigadores/as numa fase inicial da carreira devem ter uma atenção especial já que são cruciais para a sustentabilidade da produção de conhecimento e para a inovação, e representam a nova geração de cientistas e empreendedores/as.
Os programas de doutoramento devem contemplar comissões de tese que, em colaboração com as equipas de orientação, acompanhem os/as estudantes ao longo do ciclo de estudos. As boas práticas e a qualidade da educação doutoral devem ser monitorizadas e divulgadas, o que inclui a implementação de critérios claros para a avaliação interna de programas de doutoramento, internacionalização, a formação contínua de orientadores/as e a análise de indicadores de sucesso, como a taxa de conclusão, o tempo médio para a obtenção do doutoramento e a inserção no mercado de trabalho. Além disso, a monitorização deve incluir a promoção de ambientes de investigação que valorizem a integridade e a ética, bem como o acesso a recursos adequados e a redes de colaboração internacionais. Deve ser garantido um acompanhamento administrativo, desburocratizado, profissional e diferenciador para todos os programas de doutoramento, equipas de orientação e para todos/as os/as estudantes de doutoramento.
Um Ensino e uma aprendizagem com maior flexibilidade e inovação e menos burocracia obrigam-nos a encarar a integração da Inteligência Artificial (IA) na educação, uma vez que ela apresenta oportunidades significativas, mas também desafios complexos. Por um lado, a IA pode personalizar a aprendizagem, adaptar conteúdos às necessidades dos/as estudantes e reduzir a carga burocrática sobre os/as docentes, liberando tempo para o desenvolvimento de métodos pedagógicos mais inovadores e eficazes. No entanto, a IA levanta questões críticas sobre a privacidade, a ética e o papel dos/as educadores/as na construção de relações humanas essenciais para a aprendizagem. Além disso, a IA pode gerar dependências tecnológicas e desigualdades de acesso que devem ser abordadas para assegurar um ensino justo e inclusivo. A Universidade de Coimbra deve, portanto, adotar uma abordagem equilibrada e crítica quanto ao uso da IA, promovendo simultaneamente a inovação e o respeito pelos valores de integridade e equidade.

3. DIVERSIDADE, EQUIDADE, INCLUSÃO E PERTENÇA

A Universidade de Coimbra deve tornar-se uma instituição verdadeiramente inclusiva e diversa, que celebre as diferentes vozes e perspetivas da sua comunidade e assegure a participação ativa de minorias raciais, étnicas, culturais e de género. Uma política institucional orientada para a diversidade, equidade, igualdade, inclusão e pertença permite construir uma UC que não seja apenas um exemplo de excelência académica, mas também um espaço seguro e representativo para todas as pessoas, mostrando um compromisso efetivo com a promoção da igualdade de oportunidades e respeito mútuo.
Para que a UC constitua um ambiente inclusivo, motivador e colaborativo que impulsione o bem-estar e o sucesso da sua comunidade académica, valorizando o potencial de cada pessoa, é necessário implementar uma estratégia robusta e sustentável que promova o sentimento de pertença. Este sentimento de pertença promove vínculo, integração e envolvimento de toda a comunidade, aspetos cruciais para o desenvolvimento de uma cultura coletiva e institucional mais resiliente e empática. Além disso, um ambiente onde todas as pessoas se sintam integradas contribui para a retenção de talentos, reforçando a reputação da universidade a longo prazo, a nível nacional e internacional. Assim, como já foi implementado em instituições de referência, a Lista i considera fundamental que a UC avance para a implementação de estruturas (gabinetes) de Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertença em todas as Unidades Orgânicas, que sejam responsáveis pela implementação e monitorização de planos de ação que incluam atividades aos mais variados níveis, desde o apoio a pessoas e grupos vulneráveis até à adaptação de instalações e equipamentos às suas necessidades. A UC deve ainda assumir explicitamente tolerância zero para todo o tipo de comportamentos que contrariem aqueles vetores.

4. INTEGRIDADE, INDEPENDÊNCIA E LIBERDADE ACADÉMICA

A cultura de integridade deve ser um pilar central e visível na Universidade de Coimbra, orientando a comunidade académica em todas as atividades de investigação, inovação, ensino, gestão e interação com a sociedade. Além do cumprimento rigoroso dos códigos de ética existentes, é essencial que todos os membros da comunidade adotem sempre valores de transparência, honestidade, veracidade, responsabilidade e respeito mútuo. Para promover e fortalecer essa cultura de integridade, é fundamental implementar uma estratégia institucional abrangente que envolva a participação ativa de todos os integrantes da universidade. Para que este princípio seja verdadeiramente estruturante, é necessário implementar uma estratégia institucional abrangente e inclusiva, com a participação ativa de todas as pessoas que compõem a universidade. Esta estratégia deve ser integrada de forma transversal, permeando cada Unidade Orgânica, Unidade de I&D, e demais estruturas, assegurando que a integridade se traduza em prática, de forma consistente, em cada nível da organização.
A independência e a liberdade académica são igualmente pilares essenciais para o desenvolvimento de uma universidade vibrante, inclusiva, ambiciosa e inovadora. A UC deve garantir que esses princípios não sejam apenas respeitados, mas também se tornem uma prática diária em todas as suas esferas de atuação, assegurando um espaço propício para a criação e transferência de conhecimento. Para proteger, promover e monitorizar a independência e a liberdade académica é crucial estabelecer política institucional baseada nestes objetivos. Dessa forma, contribui-se para garantir que a UC seja sempre um espaço seguro, inclusivo e pluralista, onde o debate de ideias, o pensamento crítico e a independência intelectual sejam não apenas aceites, mas incentivados e celebrados.
A nossa candidatura compromete-se a construir uma universidade onde a integridade e a liberdade académica não sejam apenas palavras, mas práticas que definem quem somos e quem queremos ser. Convidamos cada membro da nossa comunidade académica a fazer parte desta jornada por uma Universidade de Coimbra que lidera com ética, inspira com autonomia e transforma com conhecimento.

5. COMUNICAÇÃO E REPUTAÇÃO

Como defendemos há quatro anos, acreditamos que a comunicação interna e externa da Universidade de Coimbra precisa de ser substancialmente valorizada e melhorada. Propomos a criação de um portal institucional dedicado a divulgar de forma contínua e acessível os projetos de investigação, as parcerias estratégicas, os especialistas das diversas áreas e a produção de conhecimento da universidade, sublinhando a relevância desses avanços para a sociedade em geral. Além disso, consideramos que este portal deve incluir recursos interativos e conteúdos adaptados a diferentes públicos, aproximando o conhecimento produzido das necessidades e interesses do público. Defendemos que a UC apoie e assuma um papel de liderança na organização e acolhimento de fóruns e encontros científicos nacionais e internacionais. Esses eventos devem contar com a participação ativa de parcerias e meios de comunicação social, nacionais e internacionais, de forma a ampliar o seu alcance e a reputação institucional.
A promoção das pessoas e dos talentos da UC no espaço público deverá ser uma estratégia a implementar. Ao celebrar as conquistas individuais de investigadores e investigadoras, de docentes, de equipas e de qualquer elemento da comunidade Universidade de Coimbra, amplia-se o prestígio e a visibilidade da instituição como um todo. Esta promoção deve ser realizada de forma inclusiva e transparente, valorizando as contribuições de diferentes áreas de saber, sem que ninguém se sinta diminuído ou excluído. Assim, a UC deve promover uma cultura institucional que valorize e reconheça que o sucesso individual ou coletivo contribui diretamente para o fortalecimento de toda a comunidade académica, beneficiando igualmente todos os seus membros. O mérito e as conquistas de cada elemento ou equipa da comunidade da UC refletem-se positivamente na reputação da Universidade de Coimbra, ampliando o seu impacto e consolidando a sua identidade no cenário nacional e internacional. Um plano de ações neste âmbito, articuladas e estruturadas de forma contínua, permitirá à UC consolidar a imagem, a reputação e o impacto institucional.

Lista i
Compromisso com a Investigação, Inovação, Inclusão e Integridade na Universidade de Coimbra

©2024 Lista i | Conselho Geral da Universidade Coimbra

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